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Passeio por um caminho solitário.
Desfruto do ar, do sol, dos pássaros
e do prazer de ser levada pelos meus pés
para onde quer que eles me levem.
De um lado do caminho
encontro um escravo a dormir.
Aproximo-me, e descubro o que está a sonhar.
Pelas suas palavras e expressões adivinho...
Sei o que sonha:

O escravo está a sonhar que é livre.

A expressão no seu rosto reflecte paz e serenidade.
Pergunto-me...
Devo acordá-lo e mostrar-lhe que é apenas um sonho,
para que saiba que continua a ser um escravo?
O devo deixá-lo dormir o tempo todo que puder,
desfruntando, nem que seja apenas em sonhos,
da sua realidade fantasiada?


Se o escravo for eu, não hesitem:

Acordem-me, por favor!
©2009 ~quiasmos
:iconquiasmos:

Author's Comments

~L

Comments


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:iconchoque-plumbeo:
Porquê?
É um preconceito preferir a verdade à mentira.
:iconquiasmos:
Mas a mentira da verdade aleija, às vezes.
:iconsilepsia:
estava como que a "adivinhar" o final ainda ia a meio porque me estava a imaginar ou como escravo ou como observador.. gostei muito
e acho que não há muito mais a dizer..
à excepção que também sabes sentir e expressar :)

--
João Lobo Afonso

My Music: myspace.com/binmesha

"A esperança é uma aposta de sangue.
Ela tinha esperança no amor."
:iconquiasmos:
(: obrigada João, pela atenção que vais dando*
:iconsilepsia:
de nada :)

--
João Lobo Afonso

My Music: myspace.com/binmesha

"A esperança é uma aposta de sangue.
Ela tinha esperança no amor."
:iconordie:
Iniciação
Fernando Pessoa


Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
....................................................
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.

Mas na Estalagem do Assombro
Tiran-te os Anjos a capa :
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.

Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada :
Tens só teu corpo, que és tu.

Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
....................................................
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não 'stás morto, entre ciprestes.
....................................................

Neófito, não há morte.

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April 7
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