Passeio por um caminho solitário.
Desfruto do ar, do sol, dos pássaros
e do prazer de ser levada pelos meus pés
para onde quer que eles me levem.
De um lado do caminho
encontro um escravo a dormir.
Aproximo-me, e descubro o que está a sonhar.
Pelas suas palavras e expressões adivinho...
Sei o que sonha:
O escravo está a sonhar que é livre.
A expressão no seu rosto reflecte paz e serenidade.
Pergunto-me...
Devo acordá-lo e mostrar-lhe que é apenas um sonho,
para que saiba que continua a ser um escravo?
O devo deixá-lo dormir o tempo todo que puder,
desfruntando, nem que seja apenas em sonhos,
da sua realidade fantasiada?
Se o escravo for eu, não hesitem:
Acordem-me, por favor!














Comments
É um preconceito preferir a verdade à mentira.
--
[link] [link] [link] [link] [link] [link]
--
[link] [link] [link] [link] [link] [link]
e acho que não há muito mais a dizer..
à excepção que também sabes sentir e expressar
--
João Lobo Afonso
My Music: myspace.com/binmesha
"A esperança é uma aposta de sangue.
Ela tinha esperança no amor."
--
João Lobo Afonso
My Music: myspace.com/binmesha
"A esperança é uma aposta de sangue.
Ela tinha esperança no amor."
Fernando Pessoa
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
....................................................
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiran-te os Anjos a capa :
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada :
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
....................................................
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não 'stás morto, entre ciprestes.
....................................................
Neófito, não há morte.
Previous Page12Next Page