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"-Não há nada mais horrendo do que uma gravata castanha sobre uma camisa violeta."

De acordo: violeta e castanho não combinam.
Contudo, esse «não há nada mais horrendo» é o índice de uma vulgaridade mental, pela qual se explica todo o mundo da mediocridade, formado por frases repetidas sem análise; de pensamentos não elaborados; de opiniões adoptadas sem discussão.

Educados nos fáceis heroísmos verbais, «dizem o que lhes vem à cabeça». E quando o dizem, a vilania com que o fazem não compromete nem sequer uma gratificação, um prémio ou um aperitivo. Não sabendo expressar um juízo com delicadeza, invocam a fórmula «eu sou sincero».


Ora, sinceros todos somos. Delicados, nem por isso.


Faz lembrar Clemenceau, que tendo de votar em público entre dois políticos que lhe eram completamente indiferentes, pôs de lado aquele que lhe disse «Você está a criar uma barriga feia».
Não lhe seria uma ofensa grave, decerto. Mas a inconveniência de tal comentário ficou-lhe como uma cicatriz, no sítio que todos temos cá dentro.


Ferir com palavras é um crime medíocre.


E, se de Éden a Humanidade evoluiu para um isto; é o Éden que se culpa, certo?...
©2009 ~quiasmos
:iconquiasmos:

Author's Comments

~L

com algum tempo, já

Comments


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:iconnihil-yaotl:
Não compreendo a ausência de comentários aqui. Não que seja relevante, mas digo-te que entre os ensaios que aqui publicaste este é sem dúvida dos mais belos, e provavelmente o mais viciante.

"É bom", certo?
:iconquiasmos:
obrigada pelas tuas palavras (:

a ausência de comentários não tem de ser justificada... acredito que, como Lobo Antunes diz, nunca escrevemos para nós pró;prios - e é sempre bom ouvir o que as pessoas têm a dizer. Mas se não houver comentários, encaro isso, normalmente, como um elogio.

E é aqui que pessoas tão atentas como tu entram em cena.

Obrigada, mil, mais uma vez. Certo, é. Bom. Mesmo.
:iconnihil-yaotl:
Talvez escrevamos para nós pró;prios, e lê quem estiver interessado. Varia conforme o caso mas, pessoalmente, escrever é uma ferramenta e um processo de auto-descoberta. Como uma de vocês disse, "por vezes escrevemos aquilo que não conseguimos dizer" (ou algo que o valha). Não podia concordar mais. Escrevemos, talvez, para tentar transmitir a nós mesmos (e aos outros, mas em outras circunstâncias) uma ideia concreta daquilo que percebemos e temos dificuldade em explicar. Não sei se isto fez sentido, mas estou cansado demais para reler. Perdoem o spam.

Abraço.

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April 29
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